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segunda-feira, dezembro 31, 2007

It's the circle of life!

O estranho karma que orienta os meus dias ficou mais uma vez comprovado. No meio do caos que regula esta vida aparentemente sem sentido, há um círculo de coerência que se mantem: a revelação das tendências suicídas da minha perna direita.

Precisamente de dois em dois anos, dou comigo a ter de me locomover de muletas, o que me leva a ter de ouvir comentários como "Confessa, tu gostas mesmo disso!". Nunca os incidentes são previsíveis (talvez por isso se chamem "acidentes") ou muito lógicos. Podia dizer que me lesionei a correr a maratona, a fazer uma corrida de karts, ou a cair de umas íngremes escadas abaixo, mas nunca aconteceu.

- Em 2003, foi a rotura de ligamentos no tornozelo, provocada por um deslize supostamente inofensivo em pavimento molhado, que me levou em ombros e prantos às urgências do hospital.
- Em 2005, o meu membro inferior tentou pôr termo à vida, com uma dramática tentativa de mergulho na linha do metro, arrastando o resto do meu corpo atrás e ocasionando um dos casos de entalanço mais inusitados da história lisboeta.
- Em 2007, na véspera de Natal, a minha perna atirou-se contra a parede e vitimou o dedo do pé (conhecido por dedão), que neste momento recupera de fractura (o primeiro osso partido em 32 anos, o que até nem é nada mau!).

O domínio das canadianas vai-se tornando exímio e já foi experimentado em vários tipos de terreno, desde a alcatifa até superfícies rochosas, passando pelas escarpadas colinas da noite alfacinha e pela areia da praia. Prevê-se que os frutos deste treino consistente se verifiquem em 2009, ano para que estão previstos o próximo acidente e a participação nos paraolímpicos.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Mind the gap! sobretudo no primeiro dia de férias

Pois eu sei que disse que não voltava aqui até dia 30. Menti. Diga-se, em meu abono, que as circunstâncias que aqui me trouxeram antes do esperado foram puramente acidentais.

A verdade é que venho cá porque não posso ir a mais lado nenhum! Um hematoma XL na jambe, que terá de ficar estendida e em repouso até 2.ª, pelo menos. Ah!... As saudades que eu já tinha de andar de muletas! Das bolhas pré-calos que se desenvolvem nas mãos, de saltitar pela casa fora, como de nenúfar em nenúfar, para não pousar o pé no chão!...

Não, não fiz um hematoma a andar a cavalo, ou numa partida de squash, ou a ser atropelada por um qualquer animal. Como fiz eu o hematoma? Entalei a perna... Onde? A sair da carruagem do metro, entre a própria da carruagem e a plataforma. Se tiverem dúvidas, leiam as precedentes frases outra vez. Foi assim mesmo.

Tanto que eu gozava com o "mind the gap" que se ouvia no metropolitano londrino! "Que parvoíce! Mas alguém cai ali?!". Pois é. Parece que sim. E fiquei a saber que a perna não cabe até ao joelho, porque foi abaixo dele que o hematoma assentou arraiais.

Nem tive tempo de um grito de espanto. Foi um ESPUF!, caída no chão com a perna entalada e os sacos por cima e um ESPUF!, sete mãos dos co-viajantes da hora de ponta a içarem-me de repente. Sem o tacão da bota, coxeei até ao banco da estação, onde me sentei com um único pensamento na cabeça: "AIIIIIII!!!! p$#kvlqjh€£#???hdgo§§#!!!".

Só voltei a raciocinar, e a acalmar o chorrilho de palavrões que me ecoavam no emaranhado do cérebro, quando cheguei a casa a arrastar o pé e tive de avaliar o estado do meu membro inferior direito, pegar no telemóvel e pedir por ajuda. Tive de controlar o acesso de riso por entre a dor, a tentar explicar o que me tinha sucedido e que não, eu não estava a gozar.

E o melhor é que mais de uma pessoa me perguntou se o metro não tinha arrancado com a minha perna ainda colada a ele... com a maior calma possível, confirmei que, mais ou menos lesionadas, ainda tinha as duas perninhas.

terça-feira, novembro 29, 2005

Acidentes estúpidos

Já estou mais que habituada a tropeçar em tapetes, dar caneladas em degraus e bater com a testa na portas abertas dos armários. Pegar num maço de folhas e acertar no olho é que foi novidade. Ainda me doi. Quero um subsídio de risco.